segunda-feira, 9 de agosto de 2010

gatos pardos

gatos pardos no telhado,
como não têm nada comem de tudo.

gatos pardos no telhado,
comem de tudo o que no nada encontram.

gatos pardos no telhado,
revelam-se à noite, miando como num choro sem lágrimas,
mas ninguém os ouve.

gatos pardos no telhado,
sem dono, não sabem o que é o afecto.
estão no telhado mas não têm teto!

P.E.S.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

"Sem Título"

entrou-lhe de permeio, atravessando-o,
chorou sangue e partiu-se em dois!
agora à um meio, um vazio mediato.
e luto! para que as duas metades se juntem novamente!

P.E.S.

sem ar

entre paredes
que se vão fechando,
um sufoco paira no ar.
agora é o teto que desce
e fico sem espaço,
sem ar.

agora dentro de um balão
que se vai esvaziando!
outra vez esta asfixia.
estou sem ar.

neste momento não sei onde estou
mas parece-me o fundo do mar.
azul por toda a parte
mas que vai ficando escuro, preto
à medida que me afundo!
agora sim,
sem ar,
morri.

P.E.S.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

"Modo Fotografia"

Ultimamente tenho digitalizado (cá no work) inúmeras fotos. As típicas fotos "para mais tarde recordar". Dei por mim a questionar-me porque se riem as pessoas para as fotos?! Pode parecer uma questão sem fundamento mas se pensarmos bem, o objectivo da fotografia é: captar o momento. Então se eu estiver contrariado em determinado evento, ou mesmo mal disposto não deveria sorrir só porque me apontaram uma câmara! Talvez por no futuro querermos recordar o momento, inconscientemente (ou não), acharmos que "naquele tempo" é que éramos felizes!

P.E.S.

terça-feira, 6 de abril de 2010

contornar montanhas

Um dia estava eu a acampar, quando resolvemos fazer uma caminhada ao "Topo do Gerês" – como lhe chamavam! A caminhada foi feita durante a noite o que tornou a coisa ainda mais interessante!

Quanto mais subíamos mais acidentado era o caminho, o tempo ia passando, o sono ia surgindo e aumentando com o passar do tempo, mas ao topo é que nunca mais chegávamos.

Á medida que caminhávamos acontecia algo curioso. Á nossa frente víamos sempre cerca de 500 metros do caminho, terminando com o "contornar de uma montanha" após a qual: mais 500 metros, mais uma montanha!
O caminho parecia sempre o mesmo! Causando-nos a sensação "dejá-vu" a cada montanha que contornávamos!
Claro que isto levou alguns ao desespero e foram desistindo! Numa altura em que já não me aguentava de sono também desisti e resolvi voltar para trás!

Mais tarde soube que já estaria nas últimas montanhas, muito próximo do topo!

Com isto aprendi que por mais tortuoso que seja o caminho, devemos seguir sempre em frente, nunca desistir nem pensar sequer em voltar para trás... e quanto às montanhas, só nos resta mesmo contorna-las!

ps: Patrícia, tu consegues contornar essas montanhas!

P.E.S.

quinta-feira, 25 de março de 2010

...

Terça feira. Passavam poucos minutos das 21 horas. Era um restaurante/bar com algum "requinte", e talvez daí o meu espanto ao ver um homem aparentemente pobre! E não me refiro apenas à "pobreza económica"! Roupas simples num homem simples, que jantava uma boa refeição que à primeira vista não poderia pagar!
Mas o que mais espécie me causava era o facto de que, enquanto comia, falava sozinho! Discutia consigo próprio, num intenso monólogo!
Tinha apenas um copo de vinho a acompanhar o seu jantar, não havendo sinais da garrafa de onde proveio. Levantando-me a dúvida se já estaria embriagado quando chegou, ou se aquela "pobreza" seria de natureza psicológica!
No fim do seu jantar acendeu um cigarro e lá continuou a conversa! Com quem, só ele sabia...

Todos nós encontramos por aí desses "pobres" (falta-me um termo melhor neste momento)! Uns riem-se, outros ignoram-nos, mas a mim faz-me confusão e invade-me um profundo sentimento de pena!
Penso como seriam antes de "ficarem assim"! O que os terá levado a isso! E se será que um dia posso ficar assim?!

P.E.S.

sexta-feira, 19 de março de 2010

...quero tudo!

Quero mais, quero aprender, quero tudo!
Quero tanto, mas tanto que fico exausto!
Sinto-me cansado de tanto querer e já não quero nada!
Saber o que quero, é o que mais quero!
O que não quero já sei... e é um começo!
Quero o mundo, tê-lo nas mãos!
Conhecer o meu país, por completo! O mundo o mais possível!
Quero tirar cursos, de tudo e mais alguma coisa! Pois o que fizer quero fazer bem!
Quero deter o conhecimento! Quero ser bom! Em tudo! O melhor!
Mas dedico-me a tanto que corro o risco de não ser bom em nada!

Afinal já não quero tudo! Quero-me a mim! Isso não posso perder...

P.E.S.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Um dia no Céu...

Um dia no Céu pra me ver!

Ás vezes pergunto-me "como será que os outros me vêem"?! É estranho (ou talvez não e provavelmente todos pensam o mesmo!)
Gostava de "subir ao Céu" (entenda da forma literal quem quiser) e ver-me! Desde a minha forma física à minha maneira de agir, de estar, de ser... Será o meu egocentrismo a falar mais alto ou o perfeccionismo de, vendo-me, poder "corrigir-me"!?

Outra coisa que gostaria de ver (e talvez veja) seria o meu próprio funeral! Exactamente! Geralmente penso nisto quando estou num! Os velórios e funerais têm essa particularidade: fazer-nos pensar mais em determinados assuntos! Assuntos das mais variadas naturezas! Mas o que mais me invade o pensamento é a possibilidade de ver o que acontece "cá em baixo"! Os que por nós choram, sofrem... Uns mais, outros menos! A quantidade de amigos que por lá aparecem...! Tudo isso!
Por ouro lado, se estivermos bem (depois de mortos), será certamente com algum sofrimento que veremos o que por cá se passa!

Pós-morte! Assunto deveras interessante! Mas fica para outro dia!

P.E.S.

sexta-feira, 12 de março de 2010

és assim!

O que fazes insistes em fazer bem e exiges muito (demasiado por vezes) de ti!
Perante algo novo, sentes um nervoso miudinho e uma ansiedade que poderia ser natural, mas já se está a tornar doentio! E tens noção disso... e é essa consciencialização que piora ainda mais as coisas e te provoca um efeito bola de neva na tua mente!
Já não sabes se o que sentes, sentes mesmo ou se é porque pensas que sentes, e tu própria decidiste sentir!
Em tudo o que fazes pensas, quando deverias ser impulsiva e... apenas agir!
Porque por vezes não interessa pensar. Mas tu isso não consegues fazer e invejas quem consegue!
Tanto pensas que esse desgaste se torna tão grande que já não te afecta apenas a mente, mas também o corpo... e sentes-te cansada... e não podes explicar o porquê porque os outros nunca compreenderiam! ...e escondes! e escondes-te!

isto é para ti! mas pode ser para mim!
ps: ha quem compreenda!

P.E.S

terça-feira, 2 de março de 2010

A minha avó não tinha nada e tinha tudo! Porque sabia sorrir!

Orgulho! Sempre que penso na minha avó o orgulho invade-me!
Quando me perguntavam sobre ela, quem não a conhecia, eu fazia questão de salientar: «a minha avó não é a típica avó de cabelos brancos! É minha avó mas parece minha mãe!»
E era verdade! Ela pintava o cabelo, era bonita, arranjava-se e parecia ter pelo menos dez anos do que a sua real idade! Já o seu interior era o oposto: estava domado por doenças! No entanto, não o demonstrava, nunca! Pelo contrário: sorria sempre! E isso era o que mais me impressionava nela!

Nasceu pobre, foi mãe solteira numa altura difícil, o que a levou a emigrar, e no entanto sorria, sempre!

A família não se adaptou à França, e Filho e Mãe quiseram voltar para Portugal! Mas ela tinha que continuar lá lutando por uma vida melhor! Não foi uma decisão fácil mas tomou-a... sorrindo!

Ela lá, família cá... os anos passaram, a idade passou, sofria por dentro mas para os outros sorria!

...e vieram os netos «a sua grande riqueza» como nos chamava... e os anos continuaram a passar! Até que quando deu por si já estava na idade da reforma! Tempo de voltar para casa, e para os seus!

e é nesta altura (presumo) que se faz um balanço de vida:
tanto tempo longe, tanto trabalho e "trabalhos" passados! tanta luta e porquê?!
por dinheiro?! é que nem isso conseguiu devido aos infortúnios e partidas que o destino (e algumas pessoas) pregaram! Consciente disso, resolveu passar os futuros anos a sorrir, dedicando-os à família!

O seu maior gosto era apresentar a sua família a alguém!
Por vezes quase me sentia envergonhado pela forma (exageradamente boa) como falava de nós a alguém!

A minha avó faleceu à uma semana, e como seria de esperar passou os últimos dias a sorrir!
Foram uns dias difíceis: o da sua morte e os que se seguiram, mas apesar de tudo tudo senti alegria! Sim, isso mesmo, alegria ao ver tantas pessoas que gostavam dela juntas! Em sua homenagem! Num dia em que chovia torrencialmente, e às onze da manha de uma quarta-feira, conseguiu encher uma Igreja de amigos!
A minha avó era assim!

Não sou grande adepto de homenagens a pessoas já falecidas! Sou apologista de que se o faça em VIDA!

Mas esta noite sonhei com ela, e não resisti a escrever sobre ela também, em forma de desabafo e talvez uma espécie de homenagem!

Façam Homenagens!!!

No fim de semana, enquanto mexia nas suas coisas, entre documentos, fotos nossas (família), postais e outras recordações, encontrei com a sua letra escrito num dos seus cadernos a seguinte mensagem:
"Sorri sempre! Mesmo que estejas triste sorri, porque por mais triste que seja o teu sorriso mais triste é não saber sorrir"

Era assim a minha avó, não tinha nada e tinha tudo!
Porque sabia sorrir!

P.E.S.

Quaresma